COMBATER A POBREZA, CONVIVER COM O SEMI-ÁRIDO
Postado por semiarido | Arquivado em Reflexão
Até vinte ou trinta anos, os temas que preocupavam os cientistas sociais eram o desenvolvimento econômico, a modernização, a participação política, a democracia e a mobilidade social. Hoje, o tema do momento é o da pobreza e o da exclusão social. Não é que os temas da pobreza e da exclusão não estivessem presentes no passado, mas eles eram vistos como uma decorrência de problemas, deficiências ou desajustes na ordem econômica, política e social, que seriam resolvidos e superados logo que estes problemas, deficiências e desajustes fossem sendo equacionados.
Hoje, o tema da pobreza aparece no primeiro plano, e há um consenso de que é preciso ter uma visão ampla e articulada de pobreza. Se esta fosse apenas material, para iluminar suas características, seriam suficientes as ciências que nos ajudam a medir os fenômenos baseados, sobretudo, nos dados de tipo quantitativo.
Sabemos, porém, que existem pobrezas imateriais, que não são conseqüência direta e automática de carências materiais. Daí, Bento XVI, na Mensagem para a Celebração do Dia Mundial da Paz, 1 de janeiro de 2009, chamar atenção de fenômenos de marginalização, pobreza relacional, moral e espiritual. Neste mesmo documento, afirma com razão: “quando o homem não é visto na integridade de sua vocação e não se respeitam as exigências de uma ecologia humana, desencadeiam-se também as dinâmicas perversas da pobreza”. Daí concretamente para combater a pobreza, é fundamental relembrar algumas sábias exigências colocadas pelo Papa, em sua Mensagem para Celebração do Dia Mundial da Paz, 1 de janeiro de 2009.
COMBATER A POBREZA
Combater a pobreza implica uma análise atenta do problema complexo que é a globalização, não olhando apenas problemas econômicos, sociais, mais evocando outros morais e espirituais.
Combater a pobreza requer olhar o homem na integridade de sua vocação, respeitando as exigências de uma verdadeira ecologia humana, com justas e eficazes teorias e práticas de gerar a vida humana com dignidade.
Após esta análise, feita com profundidade e em sintonia com o projeto divino, seja montado um planejamento considerando os meios viáveis para combater as verdadeiras causas da pobreza e não ficar patinando em falsos pressupostos. Um exemplo para esclarecer: quanto tempo no Ceará a seca foi tida como a causa exclusiva da pobreza? Hoje, há convicção de que é possível uma vida digna: convivendo com o semi-árido cearense. Os dois seminários sobre o homem e a seca do Nordeste realizados em Fortaleza contribuíram muito para se acreditar na convivência com o semi-árido.
CONVIVER COM O SEMI-ÁRIDO CEARENSE
No 1º Seminário sobre o Homem e a Seca no Nordeste, em 1982, entre outras coisas, ficou bem claro que a vida no Nordeste é viável, só faltando decisão política para combater as perversas dinâmicas da pobreza.
No 2º Seminário sobre o Homem e a Seca no Nordeste, em 1998, já não se pensava prioritariamente combater a seca, mas conviver com o semi-árido.
O Seminário: A Vida Sustentável no Semi-Árido Cearense, que vai acontecer de 12 a 14 de fevereiro de 2009, em Fortaleza, já acena para uma vida com dignidade humana, aproveitando as experiências válidas, valorizando as parcerias entre Governo, Organizações não Governamentais, Igreja e todas as pessoas de boa vontade.
Necessitamos falar menos da seca e mais do semi-árido com o qual devemos viver criativamente e com vida plena.
Dom Benedito Francisco de Albuquerque
Bispo Emérito de Itapipoca
Coordenador da Comissão Episcopal para o Semi-árido - CNBB - Reg. NE 1
março 31st, 2009 em 15:14
O Ceará flutua entre época de vacas magtas e vacas gordas.
No era do algodão ouve uma certa estabilidade em nosso Ceará.
Agora a crise feroz desemprega muitos e não há dinheiro para
investimento.
O povo sempre sofrido precisa ser acudido em suas necessidades
básicas de alimentação , saúde e educação,
O Seminário “vida sustentável vem socorrer o povo do semiárido
e devolver dignidade com agricultuta …educação para o trabalho… educação para a saúde e alimentação e habitação dignas…
É um começo… um despertar…
vamos em frente…
Paulo Girão