Arquivo para novembro, 2009
PASTORAIS DA JUVENTUDE IRÃO LANÇAR CAMPANHA CONTRA EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE
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As Pastorais da Juventude do Brasil (Pastoral da Juventude, Pastoral da Juventude Estudantil, Pastoral da Juventude Rural e Pastoral da Juventude do Meio Popular), reunidas na 15ª Assembléia Nacional em 2008, Brasília - DF, assumiram como bandeira de luta prioritária a defesa da vida da juventude, atitude que vem culminar na Campanha Nacional contra a violência e o extermínio de jovens.
Nos dias 28 e 29 de novembro de 2009, no Encontro Nacional de Fé e Política, em Ipatinga – MG, haverá o lançamento oficial desta Campanha. Nestes dias, queremos estar irmanados/as em uma grande corrente, rezando pelos frutos deste trabalho.
“Agradeço o empenho de tantas vozes dispersas até agora! Vamos juntos/as gritar, girar o mundo. Chega de violência e extermínio de jovens!” (Pe. Gisley Azevedo).
Como um de nossos gestos concretos, pedimos que ao menos um representante por grupo de jovens, os/as companheiros/ as militantes e todos/as que apóiam essa idéia, entrem no site da Pastoral da Juventude Nacional (www.pj.org.br) no dia 29 de Novembro, data na qual será lançada oficialmente a Campanha, deixando um recado de incentivo à campanha.
E quais são os outros caminhos? Como podemos assumir a Campanha Nacional? Nesse momento, em que nossos grupos de jovens, paróquias, dioceses e regionais estão fazendo os seus planejamentos queremos chamar a atenção para que a Campanha Nacional contra o Extermínio de Jovens possa, de fato, ser abraçada nos calendários de 2010.
Serão disponibilizados no site da PJ alguns roteiros do Ofício Divino, que farão memória à vida de Padre Gisley, todo dia 15 de cada mês. Ele foi um dos grandes incentivadores desta luta e por isso vamos nos organizar para rezá-lo em nossos grupos pastorais a partir do fim de semana do lançamento da Campanha, em espírito de comunhão.
Está em fase de elaboração o texto – base para estudo, o site nacional da Campanha contra o Extermínio de Jovens, a arte para ser trabalhada em cartazes e folderes e a grande marcha nacional em 2011 que visa ampla participação dos/as jovens das pastorais da juventude e parceiros. São expectativas que nos estados, se realizem marchas locais, debates, seminários, dentro outras atividades que contemplem o tema.
Estima-se que no período de 2006 a 2012 serão totalizadas 33 mil mortes de jovens por assassinato, de acordo com dados de uma pesquisa sobre violência contra adolescentes publicada em 21/07/09 pelo Observatório de Favelas.
A ONU (Organização das Nações Unidas) já nos alertou que é na faixa etária de 15 a 24 anos que se sofrem mais agressões físicas, sendo os/as jovens negros/as os/as mais agredidos/as. Segundo o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros de 2008 os homicídios tiveram um aumento de 20% no país, índice maior que o próprio crescimento populacional.
Neste sentido a Campanha nacional contra a violência e o extermínio de jovens só ganhará força se abraçada por todos e todas em suas comunidades locais, em um trabalho em rede que pretende debater e sensibilizar a sociedade e o poder público, sobre a morte que os/as jovens têm sofrido todos os dias, nas diferentes realidades do Brasil. Não podemos nos calar diante deste quadro de morte, ao contrário nossos grupos de jovens, as pessoas que lutam e sonham pelo o Reino de Deus, são convocados/as a denunciar toda essa exclusão.
Na certeza que Maria, mãe peregrina, acolhe nossas dores e nos acompanha nesta causa, rogamos a ela as bênçãos para que nossos sonhos de paz verdadeira sejam efetivados.
“Meu pedido é que me conceda a vida, e o meu desejo é a vida do meu povo” (Ester 7,3)
Coordenação Nacional da Pastoral da Juventude - CNPJ
Comissão Nacional de Assessores da Pastoral da Juventude - CNAPJ
Avaliar é Preciso, Planejar é ousar
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Os coordenadores, e coordenadoras da Pastoral da Juventude se reunirão dias 14 e 15 de novembro, na casa de retiro N.Sra. Estrela do Mar, na Área Pastoral do Mundaú. O objetivo principal é fazer a avaliação da caminhada anual, bem como tecer novos sonhos a serem alcançados em 2010.
Serão dois dias intenso de reflexão e construção de novas perspectivas.
Também será uma oportunidade de analisarmos como se deu o desenvolvimento do DNJ, realizado na paróquia de Itapajé. Nesta ocasião, todos os aspectos referentes ao Dia Nacional da Juventude entrarão em discussão, para podermos ter uma clara visão dos resultados obtidos, desde a preparação com os/as coordenadores/as, até o evento principal, em Itapajé.
Este é um momento em que é mister, em nossos grupos, pensar: Qual a importância de uma avaliação para nossa caminhada? de que forma realizar uma avaliação consistente, tendo em vista um planejamento objetivo?
São questões que, a todo ano, devem surgir nas reflexões dos grupos de jovens, pois é a partir desta reflexão que o a caminhada diária do grupo será mais consistente e mais frutífera. Além do que, os/as jovens terão mais chance de participar do processo evangelizador, sendo eles mesmos protagonistas de sua evangelização.
Assim como o capitão de um navio precisa analisar as condições climáticas para zarpar ao mar, o grupo de jovens, precisa avaliar sua caminhada. Assim, como o capitão precisa traçar a melhor rota a seguir na sua expedição, o grupo de jovens precisa planejar coerentemente suas progressões.
Por isso, avaliar é preciso, mas Planejar é ousar!
Paz! Axé! Awerê!
Afrãnio Cordeiro
Coordenador da PJ da Diocese de Itapipoca
Pastoral da Juventude e a Teologia da Libertação
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A Pastoral da Juventude nasceu de um longo processo vivido na Igreja do Brasil, antes e durante a passagem das décadas de 1960 - 1970. A década de 1960 viu a concepção e a gravidez da práxis e da idéia de libertação se espalhar por toda a América Latina, fortalecida em 1968, com a Conferência de Medellín e depois, na década de 1970 o marco do nascedouro da Teologia da Libertação que encarnou-se no nível popular, no meio de gente oprimida pelos mais fortes do sistema capitalista.
Mas de quem somos herdeiros e herdeiras? Da Primeira e da Segunda Aliança, do testemunho dos Mártires da Caminhada, do Concílio Vaticano II (1962 - 1965), de Medellín (1968) e de Puebla (1979). Vivíamos no Brasil, de 1964 - 1985, na Ditadura Militar, em que toda e qualquer manifestação cultural, social e política estava amordaçada, a única voz a ser ouvida era a da Igreja Católica, liderada pela CNBB. A profecia estava de volta, e a certeza do Martírio mais próxima.
Antes, com a Ação Católica, veio o método tão usado pelas Ceb’s: VER, JULGAR, AGIR…hoje acrescido de mais duas etapas fundantes: REVER E CELEBRAR. Vieram as propostas práticas de fé e de vida com a JAC, JEC, JIC, JOC e JUC…nas palavras do cardeal Cardjin: “Não somos revolucionários, somos a própria revolução”…a juventude começa a dar um rosto à Igreja tão distante dela, dos operários, das mulheres, dos negros, dos indígenas…
O mundo caminhava para a modernidade, sendo que a própria modernidade já caminhava para a pós-modernidade… a Igreja há muito tempo não acompanhava os passos da História. Mas nem tudo estava perdido:
Se testemunhava o sopro do Espírito Santo nos papas João XXIII e Paulo VI, que com coragem, sabedoria, humildade e fraternidade fizeram acontecer o Concílio Ecumênico Vaticano II, um marco na história da Igreja. Finalmente a Igreja se abria para o mundo moderno.
Infelizmente ou felizmente, toda abertura acarreta riscos à caminhada. Houveram excessos, tanto do lado mais conservador como do lado mais progressista da Igreja. Mas a mudança sonhada seria irreversível para o bem da caminhada pastoral, teologal e eclesiológica da Igreja Católica no mundo, na América Latina e no Brasil.
O Pacto das Catacumbas foi um dos momentos extra-Concílio de maior beleza e força espiritual, onde alguns bispos, depois padres e leigos assumiram caminhar de verdade como o povo, no meio do povo, à serviço do povo, abrindo mão de todo e qualquer privilégio que a Instituição poderia dar até o final de seus dias, sinal de despojamento e renúncia em favor do povo de Deus, povo que na Nossa América, institucionalmente é pobre, marginalizado, discriminado e excluído.
Com o sopro do Espírito, o Concílio aproximou a Igreja de seu rebanho. A mensagem do Evangelho passou a ser proclamada na língua pátria. A Encarnação do Verbo estava garantida de fato para todos e todas, pois cada um compreendia o que estava sendo dito.
Como em todo o processo, há os que defendem e há os contrários… muitos abandonaram o barco da Igreja, pois não conseguiam se desfazer das pesadas armaduras da Idade Média e do Concílio de Trento, não conseguiam perceber que o Evangelho é hodierno, portanto, a continuadora de sua mensagem, a Igreja, também deveria ser.
Muitos foram os erros de interpretação, mas houveram acertos e de uma coisa ninguém pode duvidar: João XXIII, Paulo VI, haviam colocado a Igreja Católica de volta no mundo, de volta na História da Humanidade.
A Pastoral da Juventude e a Teologia da Libertadora segue os passos do Mestre de Nazaré, divinamente humano, humanamente divino; bebe da mística e da espiritualidade brotada de sua prática e de sua pedagogia cotidiana junto aos mais desfavorecidos.
A simbologia na PJ: de sua bandeira vermelha e do círculo que envolve a sua sigla está no fato de que com o sangue dos Mártires não se deve brincar e que o círculo nos lembra sempre, que todos, todas, são iguais e que todos devem se amar uns aos outros como Ele nos amou.
É ignorância, é estupidez, querer afirmar que a Pastoral da Juventude é um reduto comunista ou uma tendência do Partido dos Trabalhadores, que ela não reza, não ora, que está contra o Magistério e a Hierarquia da Igreja.
Enquanto Pastoral social, atuando no mundo não está de forma alguma com os pés fora da Igreja. O seu campo de atuação se dá justamente de dentro para fora da Igreja. A vocação da Pastoral da Juventude é com a juventude que não está somente nas equipes e nos ministérios, mas principalmente com as juventudes que não estão em nenhuma equipe, em nenhum ministério, em nenhum reduto religioso. É uma vocação para o pluralismo religioso.
A Teologia da Libertação tem sido uma teologia moldada segundo o método VER, JULGAR, AGIR, REVER e CELEBRAR. Sabe-se que a filosofia marxista ofereceu diversos elementos à mesma, entretando a Teologia da Libertação rejeita o pressuposto radical do materialismo da teoria do conhecimento marxista, explicitando a relação entre as interpretações da fé e a prática da caridade - teoria e prática - estabelecendo entre elas uma relação dialética.
Tudo o que foi e está sendo escrito e dito contra a Teologia da Libertação nas décadas seguintes e atualmente, apenas comprova o medo de se caminhar e de experimentar uma teologia feita a partir do chão da vida humana, onde Deus desce e habita no meio do seu povo.
Emerson Sbardelotti
Estudante do Curso Superior de Teologia do Instituto de Filosofia e Teologia da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo