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A POLÍTICA À LUZ DO CONCÍLIO
Aproximando-se as eleições de 2010, considero oportuno fazer algumas reflexões sobre Política, à Luz do Concílio Vaticano II, que aconteceu de 1962 a 1965.
Política
A Política é ciência, arte e virtude do Bem Comum. Assim afirma o Concílio no n° 457: "Os que são idôneos ou possam tornar-se para exercer a difícil e ao mesmo tempo nobilíssima arte política, preparem-se para ela e procurem exercê-la, esquecidos do proveito próprio e de vantagens materiais. Pela integridade e com prudência, lutem contra a injustiça e a opressão, ou o absolutismo e a intolerância, seja dum homem ou dum partido político; dediquem-se, porém, ao bem de todos com sinceridade e retidão, bem mais, com o amor e a coragem exigidos pela vida política."
O Concílio ressalta ainda ser louvável a participação de todos na vida pública, que é missão da Igreja orientar e educar os fieis para o exercício na política.
Políticos
Os que são idôneos devem dedicar-se à política, mas não devem procurar proveito próprio, nem benefícios venais. Devem lutar contra a injustiça e a opressão. Devem ser sinceros, justos, caridosos, firmes e dignos de louvor. Quando católicos devem distinguir entre ação política e ação apostólica. É o que se encontra no nº 94 do Documento do Concílio: "Por causa da própria economia da salvação, os fieis aprendam a distinguir exatamente entre os direitos e deveres que lhes incumbem enquanto agregados à Igreja e os que lhes competem enquanto membros da sociedade humana. Procurarão conciliá-las ambas harmonicamente entre si, lembrados de que, em qualquer situação temporal, devem conduzir-se pela consciência cristã, uma vez que nenhuma atividade humana, nem mesmo nas coisas temporais, pode ser subtraída ao domínio de Deus."
Agora apresentaremos as orientações práticas da Igreja Católica no Brasil que estão muito em sintonia com a doutrina e orientação pastoral do Concílio Vaticano II.
Orientações práticas
A Igreja Católica no Brasil por meio de documentos da CNBB e de iniciativas diocesanas tem procurado:
1) Conscientizar cidadãos e cidadãs da sua responsabilidade de votar e votar bem, tendo presente que seu voto tem valor, escolhendo com cuidado os candidatos a serem votados nos diversos níveis; para isso poderá produzir cartilhas, volantes, cartazes, programas radiofônicos; 2) promover debates e reflexões sobre programas e candidatos, a fim de propiciar uma melhor avaliação deles; 3) organizar também seminários, encontros e outras modalidades, para debate e aprofundamento de temas sociopolíticos mais específicos da região ou do lugar, a fim de envolver mais eficazmente um número maior de pessoas; 4) estimular para que a escolha do candidato se faça a partir do seu programa, do seu respeito ao pluralismo cultural e religioso, do seu comportamento ético e de suas qualidades (como honestidade, competência, liderança, transparência, vontade de servir ao bem comum, comprovada pela atuação anterior...), do seu compromisso com a justiça e com a causa dos marginalizados, com especial atenção a um programa de ação consoante com aquele proposto neste Documento; 5) criar ou fortalecer comitês contra a corrupção eleitoral e para a aplicação da Lei n. 9.840, que proíbe a compra de votos e o uso da máquina administrativa; 6) incentivar de modo especial a participação das mulheres na política e contribuir para que elas preencham o número de vagas que lhes são reservadas por lei; 7) valorizar os candidatos católicos eleitos, acompanhando-os no exercício de seu mandato e procurando manter relações de diálogo com a comunidade eclesial.
Analisando as orientações práticas com a doutrina e as orientações do Concílio Vaticano II, verificamos com alegria que existe uma excelente sintonia entre elas e a Palavra de Deus.
Eduquemo-nos e eduquemos os outros a votar e votar bem, livre e conscientemente.
Dom Benedito Francisco de Albuquerque
Bispo Emérito de Itapipoca
