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Vale ainda falar de esmola, jejum e penitência?

10-Mar-2010 11:50  ]

Meditando a Quaresma em sua dimensão penitencial, consideramos que vale ainda falar de Esmola, Jejum e Penitência. Na verdade, todas essas práticas têm embasamento bíblico. Fundamental é a fidelidade aos seus objetivos e a autêntica adaptação aos tempos. Daí, passaremos a estudar essas práticas com certa profundidade.

Esmola
A verdadeira esmola não é o supérfluo, o inútil. Quem faz limpeza na Campanha da Fraternidade em sua casa, dando ao pobre o que é inservível, não faz caridade alguma, simplesmente desrespeita o irmão e faz dele o “cesto de lixo.” É necessário na caridade dar o que está dentro de nosso prato, o que está bom, e não o descartável. Até os grandes supermercados acham que fazem caridade dando os produtos um dia antes de terem a validade vencida.

Jejum
Jejum é uma prática comum no meio religioso. Todas as religiões existentes, cristãs ou não, usam desta forma de sacrifício para louvar as suas divindades.
Mas o que é verdadeiramente o jejum para o cristão? Uma simples abstinência de alimento? Não! Muitos têm ignorado o verdadeiro sentido desta abstinência. Ficar sem alimentar-se por um período, simplesmente levado pelas circunstâncias (determinação da Igreja ou algo semelhante), não consegue ver a grandeza deste ato de louvor ao Senhor.
“O jejum que eu quero é este: abrir as prisões injustas, soltar os ferrolhos dos cepos, libertar os oprimidos, quebrar todos os cepos; partilhar teu pão com o faminto, hospedar os pobres sem teto, vestir aqueles que vês nus e não te fechares à tua própria carne.” (Isaías 58, 6-7)
O jejum mesmo que, limitado à quarta-feira de cinzas e à Sexta-feira Santa e abstinência de carne todas as sextas-feiras da Quaresma, deve expressar a interna relação que existe entre este sinal externo penitencial e a conversão interior. Aqui se percebe a busca e o exercício de caminhada para Deus ao ritmo e o afastamento do pecado.

Penitência
Uma das mais belas descrições da virtude da penitência nos parece que continua a ser aquela dada pelo Concílio de Trento, quando diz: “É dor interior, aborrecimento dos pecados cometidos, com o propósito de não voltar a pecar”. É algo fundamental que deve ser ensinado às pessoas que convivem conosco. É necessário perceber dentro de nós a dor pelos erros cometidos. Às vezes, nos Santos, esta dor era algo físico, mas em nós deve ser ao menos um arrependimento interior que nos leve a fugir de todas as ocasiões de pecado. Superamos o erro quando nos sentimos profundamente conscientes dele. A virtude da penitência deve ser adquirida com muito esforço e persistência. Todos sabem disso, embora nem sempre queiramos sair desta realidade.
Concluímos que falar de Esmola, Jejum e Penitência é uma necessidade. Porém, mais do que falar, deve-se formar pessoas que aprendam em profundidade os sentidos destas três formas de ações caritativas, pelo amor gratuito de Deus, e fazer caminhar com as diversas realidades do nosso tempo. Esmola, Jejum e Penitência não significam sacrificar-nos, mas, sim, nos educarmos na liberdade de filhos de Deus.

Dom Benedito Francisco de Albuquerque
        Bispo Emérito de Itapipoca


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