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Preparando o 11º Encontro Diocesano
“Lá vem o trem da Cebs” percorrendo a nossa diocese toda, nesta viagem refletiremos o Tema: Gritar é Preciso e o Lema: Resgatando vida e dignidade que nos convocam a rever a retomar o nosso jeito de ser igreja, vivendo no semiárido gritando para uma mudança estrutural e sensibilizar as pessoas para assumir com responsabilidade o projeto de Deus, que é de um Mundo de paz, justiça para todos. É preciso tomar consciência do nosso papel transformador para de fato sermos cristãos, discípulos missionários nas terras semiáridas.
As Comunidade Eclesiais de Bases são assim denominadas por suas características de comunidade porque reúnem pessoas próximas e eclesiais, e essas pessoas tem a mesma fé e a mesma esperança de viver a comunhão fraterna. A palavra “eclesial” caracteriza-a como uma organização que integra a Igreja, um núcleo de vivência da fé cristã. Desse modo, enfrentam o modelo individualista estimulado pelo sistema neoliberal. São de base porque congregam povo da base da igreja e da sociedade: os pobres, os simples e os excluídos em geral. Além disso, são pilares para a igreja enquanto povo de Deus.
As CEBs são um modo de ser Igreja que busca inspiração nas primeiras comunidades cristãs, tão bem descritas nos Atos dos Apóstolos. Têm aquele mesmo Espírito, procuram recriar na atualidade, dentro dos respectivos contextos sociais (no meio rural, na periferia ou na cidade), o seguimento a Jesus Cristo. Cultivam uma espiritualidade profético-libertadora, capaz de promover ações transformadoras no âmbito pessoal, comunitário e social. Portanto, são grupos organizados em torno da fé, a partir da qual buscam justiça social e vida digna para todos.
Para que possamos entender o que são CEBs e como age esse jeito forte e prático de ser igreja, é importante observar os seguintes passos.
1. PREPARAÇÃO DO AMBIENTE: nos encontro das Comunidades de Base, costuma-se usar uma simbologia especial unido a fé a vida a comunidade que ali se reúne, tal como redes de pescar, potes e outras marcas do trabalho e da vida de cada dia.
Os participantes devem se acolher de forma criativa, promover uma introdução ao tema a ser trabalhado, fazer brotar a identidade do grupo. Pode-se até lembrar de abrir a conversa sobre identidade a partir da ‘carteira de identidade’ até se mostrar a importância de se saber quais são os traços que uma CEB deve ter, para ser identificada como tal. Na acolhida, é bom cantar algo que o grupo goste de cantar sobre a comunidade.
2. ABRIR OS OLHOS PARA VER: o trabalho começa sempre de uma ‘leitura da realidade’, ou seja, enxergar os traços que caracterizam a comunidade, suas individualidades e pontos em comum. Pode-se partir de nossa experiência, lembrando os pontos que são próprios das CEBs:
a) As CEBs se caracterizam, principalmente, como o ESPAÇO ONDE A GENTE SE CONHECE, se valoriza, se quer bem, se encontra, se ajuda, procura vivenciar nossa irmandade.
b) Nós nos reunimos COM FREQUÊNCIA para as orações em torno da vida e da Bíblia, planejar e avaliar nossas atividades, confraternizar-nos, partilhar.
c) As CEBs devem ser FIEIS AO MANDAMENTO DE JESUS: o mandamento do amor, que se revela em nossos gestos de solidariedade, nas reivindicações e nas lutas por justiça e melhoria das condições de vida para todos.
d) Outra característica das CEBS é o nosso jeito de trabalhar, PARTINDO DA NOSSA REALIDADE, dos nossos problemas, iluminando com a palavra de Deus.
e) Outro traço muito importante para nós das CEBs é o nosso jeito de trabalhar, PARTINDO DA NOSSA REALIDADE, iluminando os fatos com a palavra de Deus.
f) Nós das CEBs devemos levar a sério e acreditar que somos UM JEITO NOVO DE SER IGREJA, acolhedora, participativa, missionária, defensora dos pobres e excluídos. Ao desenvolver estas características, podemos apresentar símbolos, cartazes, gestos para um encontro mais vivo e examinar como vão esses traços em nossa comunidade.
3.DESPERTAR OS OUVIDOS PARA ESCUTAR: é palavra de Deus que vai nos ajudar a dar mais um passo na identidade. Aclamação. Leitura Atos 2,42-47.
4. REZA A PALAVRA PARA TRANSFORMÁ-LA EM VIDA: podemos escolher o que devemos rezar.
5. ABRIR AS MÃOS PARA AGIR: é a vez de descobrir que compromissos é possível assumir, a partir destas descobertas. Concluir, marcando o próximo encontro e já ir acertando com vai ser o 11° Encontrão, em Itapipoca.
DRA. ZILDA VISITOU PESSOALMENTE A PASTORAL DA CRIANÇA EM ITAPIPOCA
Todo o País, e especificamente as paróquias e dioceses onde a Pastoral da Criança está estruturada no Brasil, estão realizando missas e prestando homenagens a sua fundadora e Coordenadora Internacional, Zilda Arns, que faleceu no último dia 12 de janeiro, vítima do terremoto que matou mais de 150 mil pessoas no Haiti. Morreu em missão a serviço da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no país mais pobre das Américas: estava implantando lá a Pastoral para combater os altíssimos índices de desnutrição e mortalidade infantil, que estão entre os maiores do mundo.
Na Diocese de Itapipoca, o trabalho foi implantado há 23 anos (junho de 1986), e os primeiros contatos realizados pela própria “Doutora”, como costumam chamá-la as líderes e coordenadoras da Pastoral da Criança. Heleuza Helena Rodrigues Pinto, que há 23 anos é membro da equipe diocesana da Pastoral da Criança, lembra da visita da médica sanitarista Zilda Arns. “Aqui em Itapipoca, Dra.Zilda veio apenas uma vez e, em parceria com a Fundação Nacional de Saúde, articulou a Pastoral da Criança; falou de sua importância e do desejo de implantá-la em todas as dioceses do Brasil. Nesse encontro, ela nos forneceu subsídios sobre higiene, infecções respiratórias, soro caseiro e visitas domiciliares. Lembro que o material ainda não tinha o timbre da Pastoral da Criança, e sim da Fundação Nacional de Saúde” disse ela.
“Eu tive a oportunidade de coordenar a Pastoral da Criança por 15 anos e faço parte da equipe de coordenação há 23 anos. Neste período, me encontrei com Dra. Zilda várias vezes em congressos, encontros estaduais, nacionais e regionais em várias cidades do país. Tive sempre oportunidade de conversar com ela, falar das minhas dificuldades, dos meus anseios, da minha missão, da minha família e da minha vida”, continua Heleuza. “A Dr.Zilda se preocupava muito com o bem estar de cada coordenador, fazia questão de conversar com cada um pessoalmente, uma conversa informal e simples. Quando nasceu meu segundo filho, ela ligou pra mim e perguntou se ele estava mamando só no peito e que não precisava dar água, pois o leite materno tem tudo o que uma criança precisa até os seis meses de vida” conta.
A fundadora da Pastoral da Criança deixou sua coordenação nacional há dois anos, quando assumiu a coordenação da Pastoral da Pessoa Idosa e, em seguida, da Pastoral da Criança em nível Internacional. Neste período, cresceu a visibilidade e o conceito da Pastoral em todo o mundo. Hoje vinte países iniciaram o trabalho, com base na metodologia da pastoral, que é um organismo de ação social da CNBB e trabalha em parceria com outras conferências de bispos católicos e com diversas religiões em todo o mundo, como evangélicos e mulçumanos. O lema da Pastoral da Criança: PARA QUE TODAS DAS CRIANÇAS TENHAM VIDA EM ABUNDÂNCIA. (JO, 10-10) foi escolhido pela Doutora Zilda e por Dom Geraldo Majella Agnelo, que, à época, foi destacado pela CNBB para acompanhá-la na implantação do projeto.
