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O LUGAR DE MARIA NO CICLO NATALINO


12-Jan-2010 9:07  ]


Segundo Pe.Bogaz, Maria é a personagem de ligação entre a humanidade que busca Deus e Deus que busca a humanidade. Ela representa a esperança e ansiedade humana, numa atitude de espera e de busca, de fé e coragem.
            A simplicidade de Maria e o fato de ter sido escolhida por Deus colocam a comunidade cristã em comunhão com os pobres (anawin), o povo despojado de seus bens e direitos, que o Senhor vai libertar e ao lado de quem vai lutar para vencer os poderosos.
            A figura de Maria nos leva a valorizar a presença da mulher como participante da ação divina na revelação do seu mistério. Maria, enquanto mulher escolhida, é a grande sacerdotisa a ofertar ao mundo o Deus presente na carne e convidar toda a humanidade a entrar em comunhão com a vida divina.
            Maria representa ainda a predileção divina pelo povo sofrido e oprimido, pelos “pequenos” deste mundo. A utopia da fraternidade universal tem seu berço no seio de uma mulher que representa o povo sofredor.
            A imagem de Maria na liturgia deve ser redimensionada e valorizada na sua proximidade com o povo simples. Deve ser uma imagem mais realista, de luta e de força. Não apenas uma imagem de servidão e de glória e elevação. Deve ser a imagem da mulher que participa do plano salvífico de Deus, que luta pelo Reino e que quer transformar a realidade. A imagem do magnificart deve redesenhar o ícone de Maria, para que sua presença possa ser atual em nossa realidade e renovadora da pastoral Litúrgica. Sua imagem na liturgia deve ter o rosto da mulher sofredora, da mãe solteira, da mãe negra ou da mãe índia; enfim, da mãe pobre.
            Onde houver exagero na devoção Mariana, a imagem de Maria deve ser redimensionada, para que sua presença não dificulte o discurso ecumênico. Maria não ocupa o lugar de Cristo, mas é exemplo daqueles que querem lutar pela instauração do reino de Deus na história humana.
            Maria, no mistério celebrado na liturgia do ciclo natalino, não pode ser apresentada sem sua dimensão de mulher, de esposa e de mãe que participa, com seu ser e sua integridade, na manifestação de Deus e na construção da história, valorizando assim a mulher dentro da sociedade e dentro da comunidade eclesial.
            A presença pico fortalecida do “pai e esposo” serve para valorizar a imagem de Maria como “mãe”, mas não serve para desenvolver a espiritualidade da família participativa e integrada, onde o papel do pai deve ser vivido com mais intensidade na educação e na formação religiosa dos filhos e no companheirismo familiar.            

            A liturgia deste tempo deve inculturar as personagens de José e, especialmente, de Maria, apresentando-as como pai e mãe semelhantes aos pais e mães das comunidades, a fim de que cada ser humano, que de certa maneira traz em si próprio Deus encarnado, possa se sentir um filho da Maria e de José, um membro da sua família.

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