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Novo Ano e Ano Novo
Um amigo sacerdote sempre me faz cartão, no fim do ano, desejando-me Feliz Natal e Feliz Ano Novo, sobretudo Ano Novo: isso nos levou a refletir sobre a distinção sobre Novo Ano e Ano Novo. Nossos dicionários definem o ano: 1 - tempo que dura uma revolução da terra em redor do sol. 2 - Período de 12 meses. A Terra leva aproximadamente 365 dias e 6 horas para dar uma volta ao redor do sol. Esse tempo é o que chamamos de ano astronômico. O ano civil marcado pelo calendário denomina-se “comum” quando tem 365 dias e “bissexto” quando tem 366 dias, resultado da soma das 6 horas que sobram da volta em torno do sol por ano, totalizando mais um dia, que se agrega ao calendário a cada 4 anos (29 de fevereiro).
O Ano Novo parece ser uma realidade sem a presença e valorização do homem. Pode ser novo apenas pela mudança de tempo, espaço e movimentos. Assim mesmo merece nossa atenção e respeito por ser algo que nos conduz ao transcendente.
Ano Novo
No Ano Novo, há o homem como sujeito e objeto dessa história anual: aqui,o adjetivo depois do substantivo ano, à luz da Bíblia, passa a conter os importantes elementos: o adjetivo novo define em bloco toda nova aliança, o Novo Testamento. Embora seja continuação do anterior, algo novo se instaura, deixando antiquado o outro, completando e abolindo o antigo numa ruptura formal, ultrapassando a esperança, superando a imaginação. Há uma criação nova (2 Cor 5,17), um homem novo (Ef 4,24), novos ensinamentos (Mt 13,52). O homem deve abrir-se à novidade (Mt 9,17) e viver uma vida nova (Rm 6,4) pela novidade do Espírito (Rm 7,6). Mas fica pendente a última novidade, que Jesus anuncia (Mt 26,29) do universo (2Pd 3,13; Ap 21,5).
Que bom! O Novo Ano e o Ano Novo se abraçam em nossa vida divina.
Um Ano Novo de Paz
O Santo Padre Bento XVI, por ocasião do início do Ano Novo de 2010, na Mensagem Mundial para o Dia Mundial da Paz, escolheu o tema: Se quiseres cultivar a paz, preserve a criação. O respeito pela criação reveste-se de grande importância. Na verdade, a criação é o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus e a salvaguarda torna-se essencial para a convivência pacífica da humanidade. Ressalta muito bem que é indispensável que a humanidade renove e reforce aquela aliança entre ser humano e ambiente que deve ser espelho do amor criado de Deus, de que provimos e para quem estamos a caminho.
Dom Benedito Francisco de Albuquerque
Bispo Emérito de Itapipoca
