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Dom Paulo Ponte


DADOS BIOGRÁFICOS DE DOM PAULO PONTE – 1º BISPO DE ITAPIPOCA


Paulo Eduardo Andrade Ponte

Pais: Maria Helena Andrade ponte e Frederico Ferreira da ponte
Nascimento: 24 de junho de 1931, natural de fortaleza – CE, batizado a 03 de setembro de 1931, na catedral de Sobral por Monsenhor José Gerardo Ferreira Gomes, crismado a 05 de fevereiro de 1943 em fortaleza, na igreja do rosário por dom Antônio de Almeida Lustosa.
Fez a primeira eucaristia a 29 de agosto de 1941 na capela do colégio cearense, em fortaleza, onde fez o seu curso primário. Entrou no seminário menor de fortaleza, na Perninha, no dia 09 de fevereiro de 1943, onde estudou até 1950, quando foi enviado para Roma, continuando seus estudos na Pontifícia Universidade Gregoriana. O mesmo residia no colégio Pio brasileiro, a partir de 19 de setembro de 1950.
Ordenou-se presbítero em Roma, na basílica de são João de Latrao, no dia 03 de abril de 1954. Passou ainda três anos em Roma para doutorar-se em Teologia, defendendo a tese “a possibilidade da visão beatífica à luz da razão” em 27 de junho de 1957.
Ao voltar para o Brasil foi nomeado vigário coadjutor de Itapipoca, assumindo no dia 29 de outubro de 1957, onde permaneceu até o dia 09 de fevereiro de 1958. Este ano de 1958 ele passou em fortaleza a disposição do seminário arquidiocesano e em 10 de fevereiro de 1962 Assumiu a cúria da paróquia de Nossa Senhora Aparecida no Montese, em Fortaleza. Depois foi nomeado capelão da escola de serviço social em fortaleza e em 19 de fevereiro de 1961 foi à França, onde fez uma experiência na congregação das irmãzinhas de Caris de Foucault, passando a exercer a função de cozinheiro, a partir de 02 de abril a 27 de junho do mesmo ano. Terminando este estagio, fez o curso do Instituto Superior de Pastoral Catequética, em Paris, até 1963. de volta a fortaleza, em 1964, passou a ser o diretor espiritual do seminário da prainha.
Em 1967 foi para o Rio de Janeiro, onde fez o curso “Christus Sacerdos”. Neste mesmo ano, no mês de outubro, volta à franca para fazer um curso de reciclagem teológica, até janeiro de 1969.
De volta ao ceará passa a lecionar no ICRE – Instituto de Ciências Religiosas no antigo seminário da Prainha e em 1971 foi nomeado Diretor do ICRE, onde permaneceu até ser eleito bispo de Itapipoca a 25 de junho de 1971 por Sua Santidade, o Papa Pulo VI. Foi anunciado bispo eleito no dia 02 de Julho do mesmo ano.
Sua sagração e posse deu-se na cidade de Itapipoca, sede da nova diocese, no dia 21 de novembro de 1971, no patamar da Catedral diocesana.
De 1975 a 1979 foi membro da comissão episcopal de pastoral – CEP – responsável pela linha 2 da pastoral da CNBB. Em maio de 1981 foi escolhido para ser o bispo responsável pela Pastoral da Terra, no Regional Nordeste I. em fevereiro foi escolhido pelo Santo Padre João Paulo II para ser arcebispo de São Luís do Maranhão, onde tomou posse no dia 17 de junho de 1984 e lá permaneceu até 2005 como arcebispo daquela diocese, afastando-se antes dos 75 anos por motivo de saúde.
Hoje, arcebispo emérito de São Luís do Maranhão, continua residindo naquela capital, a convite do Sr. Arcebispo, Dom Belisário, auxiliando nos trabalhos pastorais e na administração da emissora de rádio arquidiocesana.
Foi acometido de uma fibrose pulmonar no inicio de 2002 que vinha sendo controlada com medicação, mas desde o dia 06 de setembro de 2008 teve uma crise muito forte. Ficou hospitalizado, voltou para casa e desde o dia 23 de outubro encontra-se internado em São Luís no Maranhão.


DOM PAULO: Cristo, ontem e hoje

Data de Publicação: 15 de março de 2009
Jadson Borba e Silva *
“A morte é começo de uma nova vida. Essa lição nos foi ensinada por Jesus Cristo, que morreu por nós”. Essas foram palavras ditas por dom Paulo quando no dia 1º de abril de 2005 celebrava pela saúde do Papa João Paulo II, palavras fortes que demonstram a confiança na promessa de Jesus que diz: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.” (Jo 11, 25)
Nascido aos 21 de junho de 1931, recebeu de seus pais, Frederico Ferreira Ponte e Maria Lehena Andrade Ponte, a fé católica. No dia 3 de abril de 1954 foi ordenado em Roma, presbítero para a Igreja de Deus. Daí em diante, sua vida foi uma total entrega à sua vocação, fazendo suas as palavras de São Paulo: “Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho.” (1Cor 9,16) Entretanto, diante de tão grande desafio soube entender suas fraquezas e limitações, pois os tesouros a ele confiados eram trazidos “em vasos de argila, para que esse incomparável poder seja de Deus...” (2 Cor 4,7).
Em 1971 fora sagrado bispo, para a diocese de Itapipoca-CE, pela imposição das mãos de dom José de Medeiros Delgado, arcebispo de Fortaleza-CE, que anteriormente já havia ocupado a Sede Metropolitana do Maranhão. Naquele dia algo já prenunciava a futura missão que Deus iria confiar-lhe frente ao rebanho maranhense.
O dia 21 de março de 1984 é marcado pela posse de dom Paulo Eduardo Andrade Ponte, como o sexto Arcebispo da Arquidiocese de São Luís do Maranhão. Seu pastoreio, dentre outros aspectos, contribuiu para um notável crescimento no número de padres no presbitério maranhense, uma vez que o clero de até então era em sua maioria formado por sacerdotes estrangeiros. Três são as marcas que caracterizavam este ilustre servo: a oração, a liturgia e a Eucaristia. Com certeza era um homem que vivia a oração que rezava, a liturgia que celebrava e a Eucaristia que amava.
Foram 21 anos de pastoreio até novembro de 2005, quando dom Paulo, em um gesto carregado de simbolismo, entregou o cajado episcopal, ao novo Pastor de São Luís. A partir de então se dedicou de modo ainda mais intenso à oração. Com o passar do tempo, sua saúde começou a deteriorar-se o que o levou a um período de sofrimento maior, unindo-se assim ao mistério do sofrimento de Cristo.
Ao ser indicado para o episcopado, de modo sábio, escolheu como lema de ordenação, CHRISTUS HERI ET HODIE, significando, Cristo Ontem e Hoje. Tal expressão quis ser uma declaração de entrega profunda, pois Cristo era o seu ontem e o seu hoje, Senhor da sua vida, Senhor da sua história.
Perscrutando a história rememoramos um pequeno trecho em verso escrito por nosso saudoso Pe. Jocy Rodrigues:

“Aos heróicos padres
Que se imolaram pelo reino de Deus
Em terras do Maranhão
No meio de agruras sem conta
Humildes
Ocultos
Pobres...”
Dentre tais heróis, sem dúvida está dom Paulo. Saudades!


* Seminarista da Arquidiocese de São Luís, 3º Ano da Teologia.



Discurso de Dom Paulo sobre sua Renuncia da Arquidiocese de São Luís

21/09/2005 - (Por dom Paulo Ponte)

Caríssimos Dom Geraldo, meu querido Bispo Auxiliar, e demais Bispos do Maranhão, Prezados Presbíteros, Religioso(a)s, Seminaristas e Leigo(a)s da Arquidiocese de São Luís,
Em novembro de 2004, tinha comunicado aos participantes da Assembléia Arquidiocesana de Pastoral ter dirigido ao Papa João Paulo II o meu pedido de renúncia ao governo da Arquidiocese de São Luís, explicando-lhe estar convencido de que o § 2 do Cânon 401 do Código de Direito Canônico expressava exatamente o meu caso: “O Bispo Diocesano que, por doença ou por outra causa grave, se tiver tornado menos capacitado para cumprir seu ofício, é vivamente solicitado a apresentar a renúncia ao ofício”.
Encontrava-me fragilizado por uma fibrose pulmonar, bloqueado na criatividade e iniciativa, um tanto angustiado, não tendo as condições para enfrentar eficazmente os atuais desafios pastorais e financeiros da Arquidiocese de São Luís. Achava que tinha chegado o momento de dar a São Luís um Arcebispo mais jovem, sadio, dinâmico, jeitoso e criativo.
João Paulo II estava também fragilizado. Sua saúde vinha definhando, até que foi encontrar-se com o Senhor Jesus, no céu, no dia 2 de abril de 2005. Coube a Bento XVI, seu sucessor, acolher o meu pedido de renúncia e nomear o meu sucessor. A notícia destas duas decisões pontifícias, conforme a carta do Sr. Núncio Apostólico, datada de 14 de setembro de 2005, só deveria ser publicada na data de hoje, 21 de setembro, quarta-feira, às 12 horas de Roma. É o que eu acabo de fazer agora, logo depois das 7 horas da manhã, em São Luís, como de costume, através da querida Rádio Educadora.
A partir deste momento, não sou mais Arcebispo Diocesano de São Luís, mas somente Arcebispo Emérito, devendo, porém, permanecer como Administrador Diocesano até a posse do meu sucessor que escolheu como data preferida para a sua posse, dentro de dois meses, a Festa de Cristo Rei, no fim de novembro.
Numa Diocese, o motivo principal de preocupação não deve ser o cargo e a saúde do Bispo mas o bem pastoral e espiritual das ovelhas a ele confiadas. É por esse motivo que muito me alegro com a nomeação de um novo Arcebispo saudável e bem disposto para São Luís, Dom José Belisário da Silva, até agora Bispo de Bacabal.
Convido a todos os meus diocesanos a se unirem ao meu agradecimento ao único Bom Pastor, Jesus, por tudo o que Ele realizou em São Luís, através de mim, seu pastor auxiliar, com a colaboração dos meus dois Bispos Auxiliares, Dom Xavier e Dom Geraldo, por mais de 21 anos. Escutem também o meu pedido de perdão a Ele e a todos vocês. Como São Paulo, nem sempre consegui fazer só o bem que queria, deixando-me atingir também pelo mal que não queria. Foi preciso que eu reconhecesse a minha timidez e as minhas fragilidades para que nelas se manifestasse a força da misericórdia do Senhor. Se, nas
pregações, dei testemunho até emocionado de Jesus, nem sempre ele foi acompanhado de um testemunho de vida totalmente fiel ao seguimento radical de Jesus. Não me parece ter atendido com inteira fidelidade ao seu convite: “aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração”.
Mas o mais importante, hoje, é agradecer à Trindade Santa pelo dom de Dom José Belisário da Silva à Arquidiocese de São Luís. A 1°/12/1999, Dom Belisário já fora nomeado Bispo de Bacabal por solicitação de alguns Bispos do Maranhão. Sou-lhe grato pela sua disponibilidade a deixar a sua terra querida, Minas Gerais, para vir pastorear uma porção do rebanho de Jesus, no Maranhão. Frade Franciscano Menor, veio para cuidar de Bacabal, uma Diocese que, desde a sua criação, estava confiada aos Filhos de São Francisco. Depois de uma relativamente curta mas fecunda experiência de quase seis anos de episcopado, atendeu aos apelos de Deus e da Igreja do Maranhão, aceitando o cargo de Arcebispo Metropolitano de São Luís. Eu tinha percebido que alguns de seus confrades e colegas bispos desejavam que ele fosse continuar o exercício do seu pastoreio episcopal em Minas Gerais, sua terra. Mais uma vez, deixando-se guiar pelo Espírito do Senhor, “como se visse o invisível”, (é este o seu lema episcopal), renunciou à sua terra e , procurando ver Jesus, caminho, verdade e vida, aceitou como vontade de Deus tornar-se o Metropolita da nossa Arquidiocese, atendendo a outro apelo dos seus irmãos Bispos do Maranhão.
Em 1745, o sexto Bispo do Maranhão, Dom Manuel da Cruz, cisterciense, foi transferido de São Luís para Mariana, tornando-se o primeiro Bispo de Minas Gerais, depois de uma viagem que durou mais de um ano. Agora, Dom José Belisário, mineiro franciscano, torna-se o 30° Bispo e 7º Arcebispo de São Luís do Maranhão, depois de percorrer apenas 250 quilômetros de asfalto.
Atentos à Palavra de Deus, acolhamos com a obediência da fé, a ternura da caridade e a consolação da esperança, o nosso irmão Dom José Belisário, servo de Cristo Jesus, apóstolo pela vontade de Deus, escolhido para ser pastor e pescador de homens e mulheres, em vista do Reino de Deus, proclamado pelo Evangelho, na nossa Igreja particular de São Luís.
São Luís, Rei de França, padroeiro principal da Arquidiocese de São Luís, Nossa Senhora da Vitória, Titular da Catedral, e São José de Ribamar, Protetor dos maranhenses, amparem Dom Belisário no seu novo pastoreio. E que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam sempre com ele e suas novas ovelhas.

“Amém! Vem, Senhor Jesus!” (Ap. 22,20).

Fonte: http://dompauloponte.blogspot.com/


NOTA DE PESAR


Nós, da Diocese de Itapipoca, sentimo-nos profundamente entristecidos pelo falecimento de nosso primeiro bispo, Dom Paulo Eduardo Andrade Ponte, arcebispo emérito de São Luis do Maranhão. Acompanhamos, pesarosos, a sua longa agonia provocada pela enfermidade que o consumiu. Ao mesmo tempo experimentamos o conforto de saber que ele, participando da morte e ressurreição de Cristo, agora está com o Senhor, na glória e felicidade eternas. Agradecemos ao Senhor a sua vida toda dedicada ao serviço do Povo de Deus, como padre e como bispo. A Diocese de Itapipoca possui o privilégio de tê-lo como seu primeiro bispo, sendo estruturada e organizada com seu dinamismo e idealismo. Deixa o seu testemunho de um homem de Deus, apaixonado pela causa do Reino, pastor inteiramente dedicado a serviço de seu povo.

 

 
Dom Frei Antônio Roberto Cavuto
Bispo Diocesano de Itapipoca



Itapipoca, 15 de março de 2009



MORTE DE DOM PAULO REPERCUTE NA INTERNET. VEJA LINKS ABAIXO:


http://imirante.globo.com/noticias/pagina193691.shtml

http://www.tvcanal13.com.br/noticias/maranhaomorre-o-bispo-de-sao-luis-dom-paulo-ponte-55301.asp

http://padrebombieri.blogspot.com/2009/03/morre-dom-paulo-ex-arcebispo-de-sao.html

http://www.oimparcial.com.br/noticias.php?id=1509

http://dioceseitz.blogspot.com/

 

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